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Imprensa 14 de outubro de 2026

Atlas Agro vê Profert como medida de fortalecimento dos fertilizantes verdes

A Atlas Agro, desenvolvedora suíça de projetos de amônia verde, espera que a nova legislação brasileira contribua para o avanço de seu projeto Uberaba Green Fertilizer (UGF), afirmou a equipe da empresa em entrevista à Quantum Commodity Intelligence na sexta-feira.

Segundo a Atlas Agro, a nova legislação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Profert) pode apoiar o projeto UGF tanto por meio de Contratos por Diferença (CfDs) para os preços dos fertilizantes verdes quanto pelo estabelecimento de uma participação mínima de fertilizantes produzidos no Brasil nas vendas realizadas no país.

O projeto UGF da empresa, localizado em Minas Gerais, deve produzir aproximadamente 500 mil toneladas por ano de nitrato de amônio verde, com um investimento total de US$ 1 bilhão.

Quantum: De que forma a legislação anteriormente conhecida como PL 699/2023 e agora sancionada como Lei 15.496/2026 deve apoiar o UGF?

Atlas Agro: O Profert pode apoiar o UGF ao estabelecer uma participação mínima de fertilizantes produzidos no Brasil nos produtos comercializados no país, começando em 2% em julho de 2027 e chegando a 10% até 2037.

A lei também permite o uso de recursos federais para apoiar linhas de financiamento por meio do BNDES e de instituições credenciadas, podendo incluir Contratos por Diferença bidirecionais para reduzir os riscos relacionados à variação de preços.

Essas medidas podem fortalecer a demanda doméstica e ajudar a mitigar riscos de financiamento de projetos como o UGF. O impacto prático, no entanto, dependerá da regulamentação do programa, dos critérios de elegibilidade, dos recursos disponíveis e das condições de financiamento.

Quantum: Qual é o status atual do UGF?

Atlas Agro: O UGF está avançando nas frentes de engenharia, licenciamento, comercial e financiamento. A Atlas trabalha com a possibilidade de tomar uma Decisão Final de Investimento (FID) em 2027, condicionada à conclusão do FEED e à mitigação adequada dos principais riscos do projeto.

O FEED definirá o escopo técnico e as estimativas de custos necessárias para o avanço do projeto.

Atualmente, os contratos de compra da produção já cobrem aproximadamente 22% da produção planejada, e novas negociações estão em andamento.

A assinatura de contratos adicionais fortaleceria o perfil comercial e de financiamento do projeto, mas a FID dependerá da estrutura geral do projeto, da alocação de riscos e do pacote de financiamento como um todo, e não de um único contrato ou percentual específico.

Quantum: Como os agricultores brasileiros estão lidando com a atual escassez de fertilizantes?

Atlas Agro: As condições variam de acordo com o produto e a região, mas a dependência do Brasil em relação às importações deixa os agricultores expostos a interrupções no fornecimento, volatilidade de preços e limitações logísticas.

Produtores, cooperativas e distribuidores adaptam suas estratégias de compra e, quando os preços aumentam significativamente, alguns podem optar por produtos de menor custo ou reduzir as taxas de aplicação, o que pode afetar a produtividade futura e a fertilidade do solo.

Uma maior produção nacional proporcionaria uma base de fornecimento mais diversificada e confiável, além de oferecer maior previsibilidade e rastreabilidade aos produtores.

Quantum: A Atlas percebeu um aumento no interesse por fertilizantes verdes desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã?

Atlas Agro: O interesse por fertilizantes verdes é resultado de diversos fatores, e não de um único acontecimento geopolítico.

As recentes interrupções no comércio de amônia e ureia, somadas ao aumento dos preços dos fertilizantes nitrogenados, reforçaram as preocupações relacionadas à segurança do abastecimento e à volatilidade dos preços.

Continuamos observando interesse por parte de distribuidores, empresas dos setores de alimentos e bebidas, investidores e outros stakeholders em fertilizantes de baixo carbono produzidos localmente, capazes de reduzir a exposição ao fornecimento importado e contribuir para as metas de redução de emissões.

Quantum: A Atlas pretende utilizar um único registro de Certificados de Atributos de Energia (EAC) ou múltiplos registros?

Atlas Agro: A Atlas ainda não decidiu se utilizará um único registro de Certificados de Atributos de Energia (EAC) ou múltiplos registros.

Estamos avaliando as opções de certificação e rastreabilidade considerando as exigências dos compradores e os padrões reconhecidos, com atenção especial à cadeia de custódia, à prevenção de dupla contagem e à realização de cálculos confiáveis da pegada de carbono dos produtos.

Compartilharemos a abordagem escolhida assim que ela for definida.

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